Funarte lança Partituras Brasileiras Online com 3 volumes sobre viola caipira

Funarte lança a publicação internacional “Partituras Brasileiras Online” que agora conta também com três volumes (5, 6 e 7) dedicados às violas do Brasil.  Sob a curadoria de Roberto Correa e ao lado de diversos importantes nomes da viola, o projeto contou também com a colaboração de João Paulo Amaral em duas partituras no volume 6.

Para saber mais e acessar todos os volumes acesse http://www.funarte.gov.br/partituras-brasileiras-online/…

Globo Rural 33 anos celebra a viola – participação João Paulo Amaral e Adriana Farias

Por Globo Rural

Assista o video da materia completa

O Globo Rural já mostrou: por séculos, o Brasil foi feito no lombo do burro e da mula. Tudo era levado pelas tropas, inclusive a música. Mas até que ponto o batido dos cascos no chão influenciou os nossos ritmos caipiras e nossa viola?

Com autoridade de quem prepara e negocia, em média, mil mulas e burros por ano, Álvaro Biasetto, o Gígio, explica como o mundo equestre é musical. Assim como cada pessoa tem um jeito de caminhar, cada animal, de cada raça, tem seu andamento peculiar.

“Isso não é coisa que se aprende em livro e em CD, não. Só quem monta em bastante animal para conhecer o que é andamento”, diz Gígio.

Basicamente, cavalos, mulas e burros se dividem entre trotadores e marchadores. Mas há inúmeras subdivisões de andamentos: o passo, que na viola percute no ritmo da toada; o trote, que é um convite para o arrasta-pé; a marcha, que se encaixa com uma guarânia; o galope, que se parece com o pagode.

A violeira Adriana Farias e o compositor João Paulo Amaral se divertem com consonância. “A música raiz, caipira, tem muita inspiração em tudo que acontece na natureza. Quando a gente faz aqueles passeios a cavalo, a gente vai cantando em cima do lombo do animal e vai entrando naquele ritmo”, diz Adriana.

“Quando o cavalo faz aquele ritmo mais contínuo, lembra um pouco a figura rítmica da semicolcheia. Aí você consegue associar com algum ritmo que tenha essa mesma característica.” — João Paulo Amaral, violeiro e compositor

Não é científico, mas é uma evidência de conjunção das culturas tropeira e violeira.

Violeiro da nova geração

Considerado um dos músicos mais completos de sua geração, Neymar Dias, que toca guitarra havaiana, violão, cavaquinho, teclado e baixo acústico, gosta mesmo é de ser identificado como violeiro.

Muito requisitado em gravações, ele faz parte daquela estirpe de criadores que procuram expandir os limites da música caipira, respeitando, preservando e refinando o gênero.

Neymar tem um pé na roça. Seu pai, Deoclédio Xavier Dias, de 76 anos, oficial de Justiça aposentado, mas até os 21 foi lavrador em plantação de café no interior de São Paulo. Ele foi para a capital sonhando em fazer sucesso tocando viola com uma dupla caipira. Tocava viola, participou de festivais, chegou a gravar discos – e Neymar cresceu nesse ambiente de música sertaneja, caipira.

Aos 6 anos, já se apresentava em programas de televisão. Buscou erudição cursando composição e regência. Duas coisas lhe deram rumo: a cultura sertaneja transmitida pelo pai e a mudança na música caipira realizada na década de 1980 em diante por artistas que se consagrariam depois, como Roberto Corrêa, Ivan Vilela e, especialmente, Almir Sater.

Autor da trilha do Globo Rural, Almir é reverenciado pela nova e velha geração. Violeiro que se preze tem que saber tocar “Luzeiro”, tema do programa, composta em homenagem a um cavalo.

O Almir Sater gravou 2 discos instrumentais de viola. Foi um novo começo para a garotada que estava começando a tocar e viu que essa viola poderia ser encaixada em outros estilos. A referência que eles têm já é outra, não só as duplas caipiras de antigamente. [Almir] apontou outros caminhos para a viola.
— Neymar Dias, instrumentista

Orquestra de violas

E se uma viola encanta tanta gente, 50 encantam muito mais. Só no estado de São Paulo, há atualmente mais de 200 orquestras de viola. A Paulistana, modelo entre elas, trabalha com um repertório sortido. Além de música caipira de raiz, toca rock, popular, samba e até erudito. A orquestra é comandada pelo maestro Rui Torneze.

A orquestra funciona como uma sinfônica. Como no baralho, que é repartido em grupos de figuras, o pessoal é dividido em naipes. São cinco e tem até as “violonas”, instrumentos adaptados com cordas mais grossas para soar como contrabaixo.

A viola ficou a cara do Brasil. É a música harmonizando um país tão diverso. Nivelando classe, raça, idade. Levantando a cortina para um mundo em que a pessoa, reunida num grupo, pode se encontrar consigo mesma.

39 ANOS DE GLOBO RURAL: ESPECIAL CELEBRA A VIOLA

Lançamento do Filme Viola Perpétua.

Tive a honra de participar desse belo documentário do amigo Mário de Almeida, mostrando um pouco de alguns de meus trabalhos ligados à viola caipira como a Orquestra Filarmônica de Violas, minha carreira solo e minha rotina como professor e coordenador do projeto Oficina de Música Caipira, dirigido a crianças da zona rural de Joaquim Egídio.

Nas palavras do Mário: “Estamos muito felizes por compartilhar pela primeira vez, em caráter oficial, o nosso documentário Viola Perpétua. Este é um projeto que vem sendo realizado há mais de 6 anos e que conta com a parceria e apoio de diversas pessoas. Levar este filme às orquestras de viola será um grande prazer e também um desafio muito interessante para nós.
Contamos com a presença de vocês no evento e pedimos que nos ajudem a espalhar a notícia compartilhando este post.
Agradecemos a ajuda do João Paulo Amaral, diretor da Orquestra Filarmônica de Violas, e da equipe do Cis Guanabara para a realização do evento.”

Primeira exibição pública do documentário Viola Perpétua
Dia: 19 de julho de 2018
Horário: 19:30
Local: CIS Guanabara
Endereço: Rua Mario Siqueira, 829, Botafogo, Campinas-SP
GRATUITO

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Próximas exibições:

João Paulo Amaral trio em ‘‘Revoredo”- Rádio USP

O programa Revoredo desta semana é dedicado ao músico João Paulo Amaral. Com mais de dez anos de viola caipira, o músico tem vasta experiência nacional e internacional, principalmente nos palcos de Portugal, Espanha, México e Inglaterra.

O álbum apresentado no programa é o Viola Brasileira, um trabalho realizado pelo João Paulo Amaral Trio. O grupo inova, unindo a tradicional viola de dez cordas, o baixo acústico de Alberto Luccas e a bateria de Cléber Almeida.

O Revoredo é produzido e apresentado pelo maestro José Gustavo Julião de Camargo, do Departamento de Música da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, com trabalhos técnicos de Luiz Antonio Fontana.

Por: Thainan Honorato (Jornal da USP, 12/04/2018)

Clique no link abaixo para ouvir o programa:

https://jornal.usp.br/radio-usp/radioagencia-usp/joao-paulo-amaral-no-revoredo/

João Paulo Amaral participa do filme Viola Perpétua de Mário de Almeida

Em março João Paulo Amaral participou das gravações do filme documentário Viola Perpétua, do cineasta Mário de Almeida. As gravações ocorreram nos dias 15 e 16 de março em Campinas, e acompanharam algumas das atividades do cotidiano do violeiro. A equipe do filme inicialmente acompanhou as aulas de viola caipira para crianças do projeto “Oficinas de Música Caipira”, realizadas na escola estadual Francisco Barreto Leme, distrito de Joaquim Egídio. Também acompanhou sua rotina em um ensaio da Orquestra Filarmônica de Violas, além de realizar um bate papo com o violeiro e a filmagem de algumas de suas composições.

Acompanhe alguns trechos na página do projeto no Facebook: https://www.facebook.com/violaperpetua/

 

 

Assista “Pacto cobra”

Assista a participação de João Paulo Amaral no minidocumentário “Pacto cobra”, da ‘serie Intergerações Viola Paulista – Etapa Campinas.
“O guizo você tem que ganhar de um amigo. Você mesmo matar a cobra não dá certo. De preferência receber de um amigo que não seja invejoso, amigo de verdade… Para o guizo te proteger da inveja e melhorar o som da viola. Mas para dar certo a simpatia, você tem que ressuscitar o guizo e fazê-lo ir morar dentro da sua viola – sem botar a mão nele… “ João Paulo Amaral, violeiro, compositor e professor de viola residente em Campinas-SP, presente no documentário Pacto cobra. * Com 24 minutos de duração, Pacto cobra é um dos cinco curtas resultantes do projeto Intergerações Viola Paulista – Etapa Campinas, que apresentam entrevistas e performances musicais com os violeiros Tião Mineiro, João Arruda, Paulo Freire, João Paulo Amaral, Renival Cruz, Marcos Ricardo, Candeeiro, Thiago Rossi, Messias da Viola e a dupla Joãozinho e Geraldinho.

Audiovisual editado a partir dos registros gerados nas oficinas de documentário do projeto Intergerações Viola Paulista – Etapa Campinas, uma realização do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo e Governo do Estado de São Paulo – Secretaria da Cultura, produzido por artistas e pesquisadores do Instituto Câmara Clara e do Instituto Voamundo, com o apoio do Museu da Cidade, Secretaria de Cultura e Prefeitura de Campinas, e do Centro Cultural Casarão.
Mais informações: www.camaraclara.org.br/violapaulista
FICHA TÉCNICA Título: Pacto cobra. Ano: 2017 | Duração: 24 minutos. Direção, Câmera e Edição: DANIEL CHOMA
Direção de Produção: TATI COSTA e SARA MELO
Direção de Pesquisa Musical: DOMINGOS DE SALVI
Finalização de Áudio: PAULO LAHUDE COSTA FRANCO
Câmera Adicional: MARCOS FRANCO MOSCHETTI
Músicas: VIOLA (LEVI RAMIRO) PAGODE DO VÉIO (MESSIAS DA VIOLA) TÚNEL DO TEMPO (JOÃO PAULO AMARAL) NORDESTE NA CAPOEIRA (RENIVAL CRUZ) MOSQUITÃO (PAULO FREIRE) AYUNA (JOÃO ARRUDA)
Entrevistados: Tião Mineiro João Arruda Paulo Freire João Paulo Amaral Candeeiro Renival Cruz Marcos Ricardo Thiago Rossi Messias da Viola Joãozinho & Geraldinho Participantes da Oficina de Documentário em Campinas-SP: ADRIANA BARÃO, ÁTILA RAMIREZ DA SILVA, CÉSAR AUGUSTO PETENÁ, CLÁUDIA GERONYMO, CLEIDE ELIZEU DA SILVA, EDUARDO DE SOUZA DE OLIVEIRA, FRANCISCO DE ASSIS VIEIRA, HELOÍSA BERTASOLI, JOÃO ANDRÉ BRITO GARBOGGINI, JOÃO PAULO AMARAL, LISLEY DE CÁSSIA SILVÉRIO VILLAR, LUIZ FRANCO “CANDEEIRO”, MARCOS PAULO FRANCO MOSCHETTI, VINÍCIUS RIBEIRO DA CRUZ, YURI ZACRA DA SILVA
Agradecimentos especiais: CENTRO DE CULTURA CAIPIRA E ARTE POPULAR / MUSEU DA CIDADE / PREFEITURA DE CAMPINAS, GRUPO DE CATIRA SÃO GONÇALO, CENTRO CULTURAL CASARÃO (CAMPINAS-SP)
Coordenação do Projeto Intergerações Viola Paulista – Etapa Campinas: TATI COSTA, DANIEL CHOMA, DOMINGOS DE SALVI, SARA MELO
Produzido por: INSTITUTO CÂMARA CLARA e INSTITUTO VOAMUNDO
Site: www.camaraclara.org.br/violapaulista

Lançamento CD “Encontro das Águas – Orquestra Filarmônica de Violas convida solistas”

A Orquestra Filarmônica de Violas têm o prazer de convidar a todos para o grande show de lançamento do seu terceiro álbum, o Encontro das Águas. Com direção do violeiro e arranjador João Paulo Amaral, o disco contou com a belíssima participação de alguns dos maiores instrumentistas do país, entre os quais Toninho Ferragutti, Nailor Proveta, Chrystian Dozza, entre outros.
Para esse concerto contaremos com a participação com alguns desses solistas: Alexandre Ribeiro (clarinete), Fabio Presgrave (violoncelo) e Ricardo Herz (violino)
Os ingressos estarão à venda a partir do dia 28/11 (vendas digitais no site: https://goo.gl/oiHNAf) e do 29/11 para as vendas físicas em qualquer unidade do SESC-SP (capital, interior e litoral)

Conheça o álbum Encontro das Águas:
Spotify
https://goo.gl/DSxtZd
Deezer
https://goo.gl/Up4VuH
Itunes
https://goo.gl/U4LsAa

Visite nosso site: www.filarmonicadeviolas.com.br

Documentário sobre violas estreia em Campinas – SP

CURTAS SERÃO EXIBIDOS DIAS 09 E 10 DE DEZEMBRO, ÀS 19 HORAS, NO CENTRO CULTURAL CASARÃO

A importância dos mestres, os desafios dos aprendizes, os pactos e impactos da viola – a vida de um violeiro. Eis alguns dos temas abordados pelos cinco documentários que serão exibidos nos dias 09 e 10 de dezembro de 2017, às 19 horas, no Centro Cultural Casarão, em Barão Geraldo, Campinas-SP. As sessões têm entrada franca e não é necessária a retirada de ingressos com antecedência.

Frutos do projeto Intergerações Viola Paulista – Etapa Campinas, os curtas apresentam narrativas e performances de violeiros da região de Campinas-SP que contam, cantam e ponteiam sentimentos e memórias. Dentre os entrevistados, Tião Mineiro, João Arruda, Paulo Freire, João Paulo Amaral, Renival Cruz, Marcos Ricardo, Messias da Viola, Thiago Rossi, Candeeiro, e a dupla Joãozinho e Geraldinho.

O lançamento dos filmes integra a programação cultural Casarão das Violas, no Centro Cultural Casarão. No sábado, dia 09 de dezembro, às 19 horas, serão exibidos os curtas Como nascem as toadas, A música do ser e Pacto cobra, com duração total de uma hora. Após a sessão, a noite segue com a apresentação do projeto Violada – Circuito autoral das violas brasileiras, que promove encontros de violeiros independentes. Evento sem a cobrança de ingressos, com contribuição espontânea ao final.

No domingo, dia 10 de dezembro, às 19 horas, serão exibidos os curtas Mestre conselheiro e O toque do violeiro, também com duração total de uma hora. Após a sessão, a noite segue com uma Roda de Violeiros com João Arruda, Domingos de Salvi, Thiago Rossi, Messias da Viola, Renival Cruz, Tião Mineiro, a Companhia dos Santos Reis Azes do Brasil (Campinas-SP), Marcos Ricardo, Zé Esmerindo e convidados.

O evento vídeo-musical também marca o lançamento do DVD Intergerações Viola Paulista – Etapa Campinas. Os quinhentos exemplares produzidos serão distribuídos gratuitamente a mais de duzentas instituições culturais do estado de São Paulo, além de comunidades e colaboradores e colaboradoras envolvidas na pesquisa. Após as exibições de estreia, os documentários serão publicados na íntegra no You Tube, no Vimeo e aqui no site www.camaraclara.org.br/violapaulista.

Os filmes resultam dos processos gerados na Oficina de Documentário, Viola e Canção realizada no Centro de Cultura Caipira e Arte Popular / Museu da Cidade, no distrito de Joaquim Egídio em maio de 2017. As atividades desenvolvidas ofereceram um panorama sobre a presença da viola nas diferentes regiões do Brasil, suas variadas formas, denominações, afinações e modos de tocar, bem como levaram os participantes a refletir sobre aspectos éticos, técnicos e estéticos da produção audiovisual e temas como memória, envelhecimento e relações intergeracionais. Práticas de entrevista com violeiros foram realizadas em diversos pontos da cidade e uma roda de viola, memória e canção, atividade prática de registro audiovisual, contou com a participação especial do Grupo de Catira São Gonçalo, de Campinas-SP.

O projeto Intergerações Viola Paulista – Etapa Campinas é uma realização do Proac – Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo e Governo do Estado de São Paulo – Secretaria da Cultura, produzido por artistas e pesquisadores do Instituto Câmara Clara e Instituto Voamundo, com o apoio do Centro de Cultura Caipira e Arte Popular / Museu da Cidade / Secretaria de Cultura / Prefeitura de Campinas, e do Centro Cultural Casarão. Os audiovisuais tiveram Direção, Fotografia e Edição de Daniel Choma, com Direção de Pesquisa Musical de Domingos de Salvi, Direção de Pesquisa e Produção de Tati Costa e Sara Melo, Câmera Adicional de Marcos Franco Moschetti.

Ficha técnica do evento
O quê: exibição de lançamento dos documentários Como nascem as toadas, Pacto cobra, A música do ser, Mestre conselheiro e O toque do violeiro, frutos do projeto Intergerações Viola Paulista – Etapa Campinas.
Data: 09 e 10 de dezembro de 2017 (sábado e domingo).
Horário: às 19 horas.
Local: Centro Cultural Casarão, em Barão Geraldo, Campinas-SP – Rua Maria Ribeiro Sampaio Reginato, s/n, bairro Terras do Barão, em frente ao bairro Vila Holândia (aproximadamente 1,5 km após a placa “Km 15” da Estrada da Rodhia).

Como chegar: https://centroculturalcasarao.wordpress.com/como-chegar/
Mais informações: (11) 95896-8781
www.facebook.com/violaintergeracoes

http://camaraclara.org.br/violapaulista/

João Paulo Amaral ministra workshop em Mogi Mirim

 

Dia 22 de setembro, João Paulo Amaral esteve em Mogi Mirim a convite do violeiro e diretor da Orquestra Mogimiriana de viola Thiago Paccola.

João tocou e fez um bate papo musical sobre viola e sua experiência como músico e professor.

Ao final, tocou com alguns jovens violeiros como Iago e Jhonata. Momentos de aprendizado e amizade que a viola proporciona!

Artigo sobre show e CD “Açoite” de Juliana Amaral, com direção musical e arranjos de João Paulo Amaral

Juliana Amaral lança 4º disco e faz show memorável!

Show Açoite Galeria Olido, São Paulo, 15/09/17 – Fotos Daniel Kersys
TEMPOS MODERNOS – Paulo Aliende
Jornal Extranews
21/09/2017 | 11:19 h“Açoite”, novo trabalho de Juliana foi lançado em 2016, pelo Selo Circus, da Circus Produções Culturais, escritório de produção cultural onde trabalho. Ali, convivo com grandes artistas, dentre eles Juliana, que além de cantora é nossa parceira em muitas outras áreas.

Já estava há muito querendo ver esse show e coincidentemente, sempre havia uma razão qualquer que me impedia de vê-lo. Pois bem, consegui assistir ao show no teatro da Galeria Olido, na sexta-feira passada.

Juliana faz uma coisa que adoro. Fala de suas escolhas musicais, traz o espectador pra junto delas e o insere no contexto do repertório escolhido.

“A tristeza é senhora, desde que o samba é samba é assim!”

Não, Juliana não canta essa, mas já no início do espetáculo, conecta o samba à tristeza. Juliana que é uma cantora que tem no samba, grande parte do seu repertório, escolhe para esse “Açoite” muitas outras coisas além do samba. Ali estão composições novas autorais e de outros autores, e clássicos como “Léo”, de Milton Nascimento e Chico Buarque de Holanda; “Carta”, de Tom Zé e “Trem pras Estrelas”, de Gilberto Gil e Cazuza.

O show é aberto com Juliana cantando “Samba do Vassalo”, de Ataulfo Alves, onde o compositor logo vai dizendo que o samba não lhe quis moderno. Mas quem disse que moderno não pode ser contemporâneo? O repertório do show que traz ali certamente de 50 a 60 anos de música brasileira, faz um panorama da situação crítica onde o Brasil, e por que não dizer, o mundo se encontra. Essa caos absoluto onde está explícita a falta de encontro, de amor, a falta de respeito, de consciência, de tolerância e tantas outras coisas. Vivemos num mundo onde a ganância é a direção escolhida pelos seus governantes.

“Rio de Lágrimas”, de Tião Carreiro, Piraci e Lourival dos Santos entra na sequência e já me emociona. Eu costumava ouvir e cantar essa canção quando era criança. Ouvia da garganta de Inezita Barroso. Sempre gostei dessa música. Agora, gosto ainda mais. Claro, que me emocionei, pois a letra ganha outros contornos nesse momento conturbado em que vivemos. “O rio de Piracicaba, vai jogar água pra fora, quando chegar a água, dos olhos de alguém que chora…Lá no bairro que eu moro, só existe uma nascente, a nascente dos meus olhos, já formou água corrente.”

Pra quem se importa com o rumo que a humanidade está tomando, como eu, não há como não se emocionar ao ouvir a voz maravilhosa de Juliana cantando essa moda caipira. Há ainda mais uma desse cancioneiro popular, que é “Padecimento” de Carreirinho, onde Juliana faz um dueto com João Paulo Amaral, seu irmão e diretor musical do disco e show. João Paulo arrasa nos arranjos. Além disso, Juliana e João Paulo se cercam de um grupo de músicos incríveis da cena musical paulistana: Alberto Luccas (contrabaixo acústico), Gustavo Bugni (teclados), Rodrigo Digão Braz (bateria), além do próprio João Paulo Amaral (viola caipira, violão e guitarra).

Dá vontade de falar de canção por canção. Há uma costura que permeia o conjunto de peças musicais, de onde Juliana tira de sua garganta, notas extremamente precisas e nos conquista a cada momento do show.

Mas quando cantou “Léo”, de Milton e Chico, devo confessar que me emocionei de encher os olhos de lágrimas. “…Um plano de vôo e um segredo na boca, um ideal, um bicho na toca e o perigo por perto, uma pedra, um punhal, um olho desperto e um olho vazado, Léo…Um olho vazado e um tempo de guerra, um paiol, um nome na serra e um nome no muro, a quebrada do sol, um tiro no escuro e um corpo na lama, Léo…”

Saí do show com uma estranha sensação. Um misto de alegria e tristeza. Tristeza pela constatação do pobre quadro em que nos encontramos nesse momento ao qual o show nos remete, o tempo todo. Alegria por ver tanta beleza na tristeza e em quem a canta ou fala sobre ela das formas mais sutis, poéticas e sábias.

“Açoite” nos remete a tudo isso e nos faz sair do show com vontade de dizer ao mundo que quem não conhece Juliana não sabe o que está perdendo. Quem não conhece Juliana está se perdendo, como o mundo, que pouco conhece Juliana. Então, se ouvirem falar de Juliana Amaral, saiam de casa correndo pra assistir ao show de uma cantora excepcional que sabe o que quer dizer e cantar.

Nesse momento, Juliana canta a tristeza do mundo que se a conhecesse melhor, talvez fosse proporcionalmente melhor.

E a tristeza é mesmo senhora, desde que o samba é samba. A beleza é senhora, desde que Juliana é Juliana.

Link – “Léo”: http://www.youtube.com/watch?v=obfwNaASYys